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O que os dados brasileiros mostram
Duas décadas de expansão escolar elevaram o piso e não moveram o teto do alfabetismo funcional.
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A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (2024) registrou, pela primeira vez desde 2007, mais não leitores (53%) do que leitores (47%) no país; considerando apenas livros lidos integralmente, o percentual de leitores cai para 27%. Em quatro anos, o Brasil teve 6,7 milhões de leitores a menos.
Um achado especialmente relevante: leitores relatam, em média, 7,6 atividades de lazer diferentes, contra 5,3 entre não leitores — sugerindo que a leitura não é uma prática isolada, mas parte de um repertório cultural mais amplo que se sustenta mutuamente.
O Indicador de Alfabetismo Funcional (INAF) mostra um segundo movimento: em 2024, 29% dos brasileiros de 15 a 64 anos permaneciam em condição de analfabetismo funcional — exatamente o mesmo patamar de 2018 — e, entre os jovens de 15 a 29 anos, o indicador subiu de 14% para 16%.
Elevar o piso sem mover o teto A proporção de pessoas no nível mais alto do INAF (proficiente) oscilou entre 8% e 12% ao longo de mais de vinte anos, mesmo com duas décadas de expansão escolar — sugerindo que parte da explicação está no que acontece depois que a pessoa sai da escola, não apenas dentro dela.
A pesquisa clássica de Kohn e Schooler, acompanhando trabalhadores ao longo de dez anos, mostrou que a complexidade substantiva do trabalho — o grau em que a execução exige pensamento e julgamento independente — molda, ao longo do tempo, a flexibilidade intelectual das pessoas.
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O que os dados do INAF (2018–2024) mostram sobre o alfabetismo funcional no Brasil, segundo o módulo?
A seguir: Mapa do Repertório Cultural